segunda-feira, 18 de março de 2013
DIVAGAÇÕES SOBRE UM MESMO TEMA
(Se sopras a centelha ela se inflama, se cospes nela, ela se apaga. É tudo feito pela boca.
Nazareno Tourinho)
Ando pensando muito em perdas e no quanto se gasta em querelas bobas pelo simples prazer de pertencer a um grupo.
Tem gente que vende a alma só pra se sentir popular.
E o que se ganha com a suposta popularidade? Mais visibilidade? Mais gente dentro do círculo da exímia arte de falar mal da vida alheia? Mais largura no cordão de bajuladores? Mais uma cadeira, a cada dia, na roda dos sem serventia?
E pensando nisso percebo que os semelhantes realmente se reconhecem e se agrupam, seja para o bem ou para o mal. Discordo da teoria que polos opostos se atraem, isso só acontece na Física, nunca na vida , no cotidiano de gente, na fila de seres humanos.
E aí me perco em divagações e em conversas internas, pois prefiro conversar comigo e com amigos, escolhidos a dedo pelo conteúdo e pela ética, que me perder em rodinhas fúteis com gente formada e mestrada em Bestiologia e Artes Difamatórias.
Quem perde mais quando é maledicente, ele ou o alvo de sua lingua?
E se esta maledicência vem por inveja, quem é mais prejudicado, o invejoso ou o invejado?
E se a malediência tiver o agravante de ser mentirosa, não apenas uma "fofoquinha tola", mas uma calúnia feita com propriedade e com seu autor sabendo sua responsabilidade [por não sofrer de nenhum problema mental], quem fica com o dolo, a flecha ou o alvo?
Questionamentos que tem que ser feito por todo e qualquer um que deseje, sinceramente, fazer parte da "raça humana".
Estar humano não é apenas ter sido gerado... Ovo, sementinha, de zigoto a embrião, embrião virando feto, feto que, no milagre da vida, nasce como um bebê totalmente desprovido de proteção, precisando de apoio e amparo, em forma de cuidados, para ter a vida preservada.
Estar humano é se comprometer com a corrente, lembrar este princípio e aprender a tomar cuidado com todas as formas de vida, sejam humanas ou não.
Estar humano é saber, primeiro, seu compromisso com algo muito maior, que eu, particularmente, chamo de Criador. Depois vem o comprometimento com todos os que passam por esta estrada estreita que é a Vida.
Estar humano não é ser perfeito, mas é tentar, e tentar, todos os dias de existência neste plano, combater as imperfeições que se vai descobrindo ao longo da trajetória.
Quase todos não conseguiremos, nesta encarnação, chegar a perfeição. Isso é fato, não pecado mortal. Estamos aqui para aprender.
Então por que não aproveitar as oportunidades, em forma de lição, que o mundo coloca em nossas portas diariamente?
Por que não tentar passar nos testes que nos são aplicados?
Eu erro, tu erras, ele erra, nós erramos, vós errais, todos erram!
Vendo este verbo conjugado e sabendo que faço parte, muito a contragosto, desta condição de "ser humano", tento passar a palavra erro para comprometimento, responsabilidade, imperfeição...
Tento tirar o peso da palavra com novas nomenclaturas, me vigiando para não cair em tentação, enviando energia de amor e Luz aos que me rodeiam, gostem de mim ou não, sejam meus amigos ou não.
Sei, de coração limpo e com sinceridade, que não sou inimiga de ninguém que transita sobre este planeta. Mas aos que desejam ser [ou se dizem] inimigos, estejam a vontade.
A responsabilidade de cada vida pertence exclusivamente ao seu dono, como o pagamento por cada ato e por cada ódio gratuito também.
É o tal do livre árbítrio tão falado para justificar as trombadas que damos, as caquinhas feitas que sabemos sem retorno.
Errar é humano, persistir no erro é burrice e perda de tempo.
E a boca, esta mesma boca que beija em ósculo de pureza, que permite que palavras meigas e doces formadas pelo aparelho fonador escapem por ela, também pode servir de instrumento de tortura.
Palavras tanto podem dar vida como dar morte. Sentenciam, penalizando ou desculpam, num ato nobre.
Coitado daquele que usa a fala [um dom recebido, não uma obrigação de Deus com o ser humano], como chibata!
Caminhemos com a cabeça erguida e os olhos fitos a frente, não nos permitamos o desvio do olhar pra ver a possível imperfeição do irmão.
E, principalmente, calemos os julgamentos, quem somos nós pra saber o que mora na alma alheia?
Então...
("Quando você se por a medir alguém, meça direito, parceiro.
Meça direito.
Certifique-se de que você levou em conta quantas montanhas e precipícios esse alguém precisou atravessar para chegar nas escolhas que fez!"
Andréia Loureiro)
("Quando você julga os outros, você não os define, você define a si mesmo."
Wayne Dyer)
(" Julgar os outros é perigoso. Não tanto pelos erros que podemos cometer a respeito deles, mas pelo que podemos revelar a respeito de nós."
Philemon)
("Óh Grande Manitu, ajudai-me a nunca julgar o próximo antes de ter andado sete léguas nas suas sandálias."
Oração dos Índios Sioux)
Que tal se todos nós, num esforço conjunto, começassemos a pensar mais nas próprias vidas e em como melhorar e combater as imperfeições que temos, e deixássemos a vida do outro pra que ele mesmo cuidasse?
Reconhecessemos que o julgamento é feito por um setor responsável, que nem fica neste plano?
Acredito no dia em que o homem será amigo do homem, sei que não estarei aqui pra ver este tempo de Luz, mas me rejubilarei, de onde estiver.
[elza fraga]
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário