sexta-feira, 29 de março de 2013
APRENDENDO A SAIR DA CASCA
[Quiçá consiga ainda nesta encarnação]
Acabei de ler este post em página amiga [Raphael Marques via facebook]:
"_Se estão a linchar em praça pública até quem curte os próprios posts , imaginem quem fala o que pensa !"
Curti de imediato!
E voltei ao meu mural pensativa e cheia de caraminholamentos.
Por mais que me neguem e me façam invisível.
Por mais que inventem uma Elzita que não existe e a espalhem, soprando ao vento conceituações de responsabilidade de cada autor.
Por mais que enxerguem falsidade no meu bojo, onde tento só cultivar transparência (Se é que alguém enxerga isso, a gente nunca tem acesso total a mente e a ótica do outro).
Por mais que os verdadeiros amigos, que são em bom número e ótima qualidade, saibam que as verdades que digo, mesmo que suavize para anestesiar, são exatamente o retrato do que penso.
Por mais que fale diretamente ao interessado, sem intermediários.
Por mais que me esforce para obedecer a lei do amor incondicional a todos, mesmo aos que se dizem meus inimigos, que eu, de cá, não sou inimiga de ninguém e nem quero; entendo que não posso tirar o direito sagrado do companheiro não gostar de mim e deixar isso claro, pelas costas, em piadinhas irônicas ou ao vivo e a cores. Sempre preferindo a terceira opção, apesar de a saber rara.
Por mais que veja o quanto tem de gente que desce na escala de evolução espiritual para agradar ao grupo que pensa pertencer, no exercício de falar o mesmo idioma, ter os mesmos costumes, se agrupar em bandos de fofoquice, sem perceber o comprometimento da alma, apenas para ser aceito e se dizer pertencente aquele determinado, que ele acha a elite dentro do seu núcleo social.
Por mais que veja sorrisos, elogios, as vezes até bitokitas no rosto e abraços de urso, de gente que, por trás, me desconstrói [com a falsa impressão que está me decodificando], em inverdades que são suas...
Aprendi que:
_Todas as imperfeições que localizam na minha alma e no meu proceder [posso até tê-las ainda... também!] vem de dentro da propria mente que as percebeu em mim. Somos espelhos, vemos no outro nossa imagem e semelhança.
_Podem exagerar em alguns pontos, mas sempre acertarão em outros pela lei das probabilidades, pois imperfeições todos nós temos cá as nossas.
_Que isso tem conserto, mas requer vigilância de pensamentos, palavras e ações, vinte e quatro horas diárias. E nem todos tem a persistência de retomar o caminho quando falham neste ítem. O recomeço da vigilância é tarefa árdua, pois se sabe que o policiamento vai requerer mais rigor a cada escapulida da mente. Alguns "muitos" desistem no caminho.
_Somos todos falhos em algum mecânismo espiritual, pois se possuíssemos a perfeição em todos, não estaríamos aqui. Então me sei imperfeita sim, mas não brigo comigo e nem me repreendo, apenas tento fazer o meu melhor, mesmo que os outros não enxerguem meu esforço, pois não faço por eles, faço por mim!
_E ainda aprendi, de lambuja, que não sou, e ninguém é ou foi algum dia em algum tempo, neste mundinho giratório, unanimidade! Nem Jesus, que foi a encarnação do amor vivo, conseguiu a compreensão e o amor dos humanos.
Não se agrada, bem fala o ditado, a gregos e troianos.
E isso, querido amigo que, porventura, se acha fora da roda, diz respeito a você também!
Então, depois que se vive o suficiente para não apedrejar mais os deslizes próprios ou alheios, a gente só pode partir do princípio que o melhor é amar, e calar quando não for chamado a depor.
E, se for convocado a testemunho, colocar em palavras apenas a nossa verdade, da maneira mais direta e simples possível.
Exercitar a cortesia em grau máximo, pois isso faz bem não a quem recebe, mas a quem dá.
Ser o mais leal que conseguir com a gente, pois é assim que se aprende a ser leal com o outro.
E viver a vida sem matar o tempo com besteiragens inúteis, pois estas não contam ponto no balanço final.
Nem precisamos matar um leão por dia, precisamos aprender a amar, e a se fazer amado, pelos leões do caminho. Melhor que destruir é afagar.
Só quando a gente aprende a sair da casca é que se concretiza o verdadeiro nascimento, porque ser parido é apenas vir ao mundo.
Nascer pra vida é muito mais complexo que o ato de ser cuspido pra fora de um ventre.
Estou tentando sair da casca, não é fácil nem indolor [viver é sem anestesia], mas também não é impossível...
E se falhar recomeço, quantas vezes for preciso, enquanto estou na estrada tudo é possível, até o milagre de me deparar com a lanterna que me foi presenteada no ato da concepção da alma, oxalá acesa!
Imagem: Criança geopolítica assistindo o nascimento de um novo homem, 1943 – Salvador Dali
[elza fraga]
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