sexta-feira, 11 de setembro de 2015

NA ANTESSALA DO CAOS




A questão agora, para muitos, é saber o quanto aguentaremos dessa política mundial enfiada em nossas goelas, sufocando nossas palavras.
Quem tem fé e sabe que isso aqui é transitório se consola na certeza de Deus, não de um paraíso a espera, mas de um paraíso construído a partir daqui.
Plasmam o que querem encontrar, mas buscam um mundo mais justo, mais humano, fazendo sua parte enquanto ainda na caminhada.
Mas ainda tem gente perdida no meio de tanta informação desencontrada, gente que se cansa, senta e espera a solução mágica, clamando aos céus.
Certo, sempre é bom se elevar o pensamento e depois do “obrigada Senhor”, pedir ajuda, mas ajuda para que a mente se abra, entenda o tamanho da encrenca e quais atitudes pode tomar para minimizar os efeitos maléficos.
Esperar em Deus não é “não agir”, é tentar agir com sabedoria, confiando.
Estudar os fatores externos, mergulhar profundamente em nosso interior e, só depois, avaliar como poderá ser nossa contribuição para que haja paz.
Porque tem um jeito, sempre tem, para os que acreditam. E muitos acreditando preparam o campo propício, semeam as sementinhas certas, as regam com a vigilância e colhem, mais à frente, o fruto do esforço, da sabedoria, da espera tranquila, da ação correta e principalmente o fruto das preces elevadas com sinceridade, de coração aberto, sem palavras decoradas.
Uma boa conversa com Deus, todas as noites, uma corrente de gente irmanada no mesmo propósito enviando energia de luz para o planeta, uma correção de pensamentos e atos, uma atitude de não ódio, e um pedido para que o mal seja neutralizado, seja julgado pela lei divina e pelo conselho cármico já é de grande valia.
Que consigamos nos unir em pensamentos, juntos numa corrente do bem, emanando energia e pedindo paz, acreditando que é possível porque é.
Escutei certa vez que o bem é em muito maior número que o mal, mas é tímido, não se une, enquanto o mal se congrega, faz congressos e reuniões, se exibe, por isso aparece mais, é bem mais visível, fazendo com que os indecisos o pensem maior.
Depende muito de nós, já que somos a maioria na tentativa de perseverar no bem.
Com nossas falhas sim, mas lutando bravamente contra nossas tendências sombrias, nos esforçando para aumentar nosso lado Luz.
Sejamos a diferença, ainda dá tempo.

[elza fraga]

IMAGEM: PINTURA DE ALBERT BIERSTADT

sábado, 5 de setembro de 2015

ORGULHO E VAIDADE




Admiração: Sentimento nobre que se cultiva por aqueles que nos parecem
centrados, pacificadores e pacificados, com metas reais e dignas que tentam cumprir, esforçados e voltados para a correção de suas imperfeições, fáceis no trato, elegantes no falar, corteses.
Não há necessidade de reciprocidade na admiração.
Como não há necessidade de alardeá-la, ela pode viver dentro da gente, oculta aos olhos do admirado. 
Só não pode ser propagada, falsa, quase bajulice, pois aí estaremos colocando um outro ser à prova, testando-lhe a vaidade e o orgulho, que podem estar apenas adormecidos, não corrigidos e mortos - e mostrando o quanto de sombra ainda nos domina.
Teremos então responsabilidade pela queda em questão, caso aconteça,
e mais à frente recolheremos os frutos da má semeadura.
Mas duro mesmo é quando o alvo da nossa admiração desveste a capa, nos deixa entrever, pelas frestas do personal, o quanto era montado o seu cartão de visitas.
Uma das piores decepções, das tantas que vamos acumulando, é ver no chão as máscaras com que nos enganaram.
E aí começa novo aprendizado, o de entender que defeitos todos temos, e que não podemos julgar imperfeições alheias quando ainda moram tantas dentro da nossa alma. Olhar o parceiro, nosso irmão de jornada, percebendo tão somente suas qualidades, as valorizando, esquecendo a montagem que foi feita para capturar nosso amor, nossa admiração.
Entender afinal que cada um de nós quer a mesma coisa, amor e aceitação.
E pra isso, se preciso, talvez também nos pintássemos com as cores mais belas do Universo.
Quem pode afirmar que não cairia na prova da vaidade e na do orgulho se ainda não foi tentado?


[elza fraga]