domingo, 1 de novembro de 2015

PRECE PARA O FINAL DOS DIAS.



Senhor
dai-me a calma que vem ao fim do dia
quando, tarefas cumpridas,
o corpo reclama
o calor da cama
e já no leito
se eleva a prece
e se agradece.
Senhor
dai-me o sono dos que se souberam justos
só por esse dia
e num último pensamento antes do torpor
uma vez mais se agradece
e se reverencia a vida.
Senhor
dai-me a paz restauradora
num sono sem pesadelos,
sem medos,
apenas a tranquilidade do aprendizado
em outras esferas visitadas
de acordo com o merecimento
que tiver adquirido.
E se nesse momento
achar por direito
chamar-me a Ti
que eu vá com a certeza que cumpri
um pedaço ao menos da minha missão
e possa abrir os olhos
no remanso
que plasmo no centro do peito,
na alma,
no coração,
junto a morada dos meus ancestrais
- avós e pais -
porque ainda preciso deles
criança que nunca deixei
ou deixarei de ser.
E que sempre haja paz
pelos caminhos
mesmo que me saiba viajor sozinho
responsável pelos meus próprios
e doloridos ais.
E que jamais
em canto algum que caminhar
eu Te esqueça
atravessa comigo essa etapa bendita
livrando-me do mal
que visita aos incautos
e segura minha mão no momento final.
[elza fraga]

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

NA ANTESSALA DO CAOS




A questão agora, para muitos, é saber o quanto aguentaremos dessa política mundial enfiada em nossas goelas, sufocando nossas palavras.
Quem tem fé e sabe que isso aqui é transitório se consola na certeza de Deus, não de um paraíso a espera, mas de um paraíso construído a partir daqui.
Plasmam o que querem encontrar, mas buscam um mundo mais justo, mais humano, fazendo sua parte enquanto ainda na caminhada.
Mas ainda tem gente perdida no meio de tanta informação desencontrada, gente que se cansa, senta e espera a solução mágica, clamando aos céus.
Certo, sempre é bom se elevar o pensamento e depois do “obrigada Senhor”, pedir ajuda, mas ajuda para que a mente se abra, entenda o tamanho da encrenca e quais atitudes pode tomar para minimizar os efeitos maléficos.
Esperar em Deus não é “não agir”, é tentar agir com sabedoria, confiando.
Estudar os fatores externos, mergulhar profundamente em nosso interior e, só depois, avaliar como poderá ser nossa contribuição para que haja paz.
Porque tem um jeito, sempre tem, para os que acreditam. E muitos acreditando preparam o campo propício, semeam as sementinhas certas, as regam com a vigilância e colhem, mais à frente, o fruto do esforço, da sabedoria, da espera tranquila, da ação correta e principalmente o fruto das preces elevadas com sinceridade, de coração aberto, sem palavras decoradas.
Uma boa conversa com Deus, todas as noites, uma corrente de gente irmanada no mesmo propósito enviando energia de luz para o planeta, uma correção de pensamentos e atos, uma atitude de não ódio, e um pedido para que o mal seja neutralizado, seja julgado pela lei divina e pelo conselho cármico já é de grande valia.
Que consigamos nos unir em pensamentos, juntos numa corrente do bem, emanando energia e pedindo paz, acreditando que é possível porque é.
Escutei certa vez que o bem é em muito maior número que o mal, mas é tímido, não se une, enquanto o mal se congrega, faz congressos e reuniões, se exibe, por isso aparece mais, é bem mais visível, fazendo com que os indecisos o pensem maior.
Depende muito de nós, já que somos a maioria na tentativa de perseverar no bem.
Com nossas falhas sim, mas lutando bravamente contra nossas tendências sombrias, nos esforçando para aumentar nosso lado Luz.
Sejamos a diferença, ainda dá tempo.

[elza fraga]

IMAGEM: PINTURA DE ALBERT BIERSTADT

sábado, 5 de setembro de 2015

ORGULHO E VAIDADE




Admiração: Sentimento nobre que se cultiva por aqueles que nos parecem
centrados, pacificadores e pacificados, com metas reais e dignas que tentam cumprir, esforçados e voltados para a correção de suas imperfeições, fáceis no trato, elegantes no falar, corteses.
Não há necessidade de reciprocidade na admiração.
Como não há necessidade de alardeá-la, ela pode viver dentro da gente, oculta aos olhos do admirado. 
Só não pode ser propagada, falsa, quase bajulice, pois aí estaremos colocando um outro ser à prova, testando-lhe a vaidade e o orgulho, que podem estar apenas adormecidos, não corrigidos e mortos - e mostrando o quanto de sombra ainda nos domina.
Teremos então responsabilidade pela queda em questão, caso aconteça,
e mais à frente recolheremos os frutos da má semeadura.
Mas duro mesmo é quando o alvo da nossa admiração desveste a capa, nos deixa entrever, pelas frestas do personal, o quanto era montado o seu cartão de visitas.
Uma das piores decepções, das tantas que vamos acumulando, é ver no chão as máscaras com que nos enganaram.
E aí começa novo aprendizado, o de entender que defeitos todos temos, e que não podemos julgar imperfeições alheias quando ainda moram tantas dentro da nossa alma. Olhar o parceiro, nosso irmão de jornada, percebendo tão somente suas qualidades, as valorizando, esquecendo a montagem que foi feita para capturar nosso amor, nossa admiração.
Entender afinal que cada um de nós quer a mesma coisa, amor e aceitação.
E pra isso, se preciso, talvez também nos pintássemos com as cores mais belas do Universo.
Quem pode afirmar que não cairia na prova da vaidade e na do orgulho se ainda não foi tentado?


[elza fraga]

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

DECLARAÇÃO DE AMOR A VIDA







Amo a vida e a agradeço todos os dias!
Nada melhor que acordar, olhar o sol, respirar fundo e partir para mais um dia de renovação. 
Saber que o espírito é soberano, o corpo é casca, não sou matéria, sou a alma que me habita.
Entender que nada me fará mal se eu não deixar que penetre pele à dentro.
E, principalmente, ser grata até pelas topadas com pessoas indigestas que vivem de cutucar - no mal sentido mesmo, sendo irônicas ou ferinas. Sem queixas, só constatando e virando a outra esquina.
E acreditar no meu Deus, que é o de todos, mesmo dos que Nele não creem. Depositar confiança, deixar que seus enviados de luz me guiem sem jamais achar que meu fardo é pesado, pois não é, carrego uma cruz leve, e ainda tenho ajuda todos os dias em forma de luz, de ar, de água, da comida e do afeto de tantos bons amigos que me cercam;
O mundo é complicado? Claro! Isso não é passeio, é escola para melhoramento do espírito que move nossas engrenagens.
Que eu vá aproveitando a lição, aprendendo, tentando apurar o miolo, mas nunca deixando de apreciar a paisagem, porque esse planeta difícil onde estagiamos foi feito na medida para embevecer o olho da gente.
Se alguém duvida disso é só perder a vista no vermelho do ocaso, no cinzento do comecinho da noite, nas estrelas despontando, na lua redondinha, ou faltando fatias, mas sempre nos benzendo com seus raios de claridade e paz.
Sorver as madrugadas como quem bebe o ar.
E alvorecer de novo quantas vezes forem necessárias para o aprimoramento.
Aí é só abaixar a cabeça, unir as mãos na altura do peito, respirar fundo e dizer em voz alta:
Sou grata pela oportunidade de estar aqui, nesse momento, nessa matéria, nessa estrada. Faça de mim seu instrumento de espelhar e espalhar o amor que trago, doado pelo fluido universal de que sou feita.
Não desperdiço meu tempo em vitimizações, sofrer faz parte do pacote, mas a viagem vale cada segundinho.
Namastê...


[Texto e foto elza fraga]

ELUCUBRAÇÕES





Outro dia me fizeram uma pergunta que me encalacrou um 'cadinho:
"_Pra você o que é mais importante, o amor ou a Luz?"
Hoje, dias passados em elucubrações, sinto que a resposta, não a certa, mas a minha, chegou do nada e invadiu meu espaço interior numa avassaladora tomada de posição.
E pela maiúscula com que grafei a palavra Luz já se percebe.
Não é que a Luz seja mais importante, é que a Luz é primária, vem antes.
O amor a segue, então, na minha concepção, ele é ou consequência ou secundário.
Sem Luz não se consegue amar nem a gente, que dirá ao próximo.
Sem Luz não se enxerga, tudo é sombra, e aí o amor se esconde, se esgueira pelos becos e esquinas. Não há lanterna suficiente para a busca.
Sem Luz somos todos opacos, sem brilho, sem cor, sem textura.
E quando enfim nos despedirmos desse invólucro, soltar as amarras da alma, o que nos guiará para o amor de quem nos espera do outro lado do Portal Mágico?
A Luz, com certeza.
Então fico com a importância da Luz e a iluminação do Amor!
Tendo os dois tenho tudo o que preciso para completar a viagem sem atravessar grandes turbulências.
E esse é meu plano de voo, Luz para preencher vida, vida para praticar o Amor incondicional, aqui e depois...


[elza fraga]

quinta-feira, 23 de julho de 2015

EM BUSCA DA LUZ



Voltando hoje, depois de um tempo em que me dei direito a um recolhimento.
Isso também tem sua valia no aprendizado constante que é viver essa vida torta, cheia de curvas, com pedras desencontradas servindo de piso, bichos-monstros à espreita nas beiradas dos caminhos, maldade e dissimulação vindo de onde nem se esperava tanto esmero, mares revoltos, tempestades tentando soçobrar nossas embarcações, lemes desobedientes, tentações em cada esquina virada quando insistimos em terra firme, olhos esbugalhados nos fitando em paredes de quartos assim que as luzes se apagam, impedindo nosso sono de sonhos, trazendo o de pesadelos para nos acompanhar noites intranquilas.
Assistindo de camarote, nem tão VIP, amigos chegarem, outros partirem, muitos para nunca mais, descem na estação final da linha por bilhete vencido. Alguns se desencantam com a gente, outros se encantam para sempre em nossas memórias e fazem a travessia do Portal Mágico sem sequer um aceno, mas o até breve fica implícito pela própria finitude de tudo o que por ora vive. 
Iremos também, em algum momento não adivinhado, por mais que não queiramos, e nos agarremos aos postes da vida - um dia a tal da D. Foice chega e nos ceifa o principio vital, o ar, a condição vivente, e aí, bau bau, atravessamos e corremos para os abraços, pois é nisso que acredito, por mais que os incrédulos tentem desviar meu foco.
Enquanto isso aproveito a dádiva de por aqui estar, e sigo na tentativa de melhorar, se vou conseguir aí é outro papo, pra mais de metro, mas me esforço com seriedade e afinco. Ainda caio nas armadilhas tão mapeadas pelos espiritualistas.
1) Armadilha da cabeça/mente: _Pensamentos errados, conceitos infundados, julgamentos que nem deveriam existir, precipitados e infundados nos tomam a consciência, quando o certo seria "desapegar-se das ideias, dos pensamentos sobre o que é certo para o outro. Ir até o agora e perguntar: “O que você precisa de mim?"
2) Armadilha do coração: _ Esse, por ser a sede dos sentimentos e emoções, nos leva num redemoinho maluco que rompe com tudo ao sabor do momento, revira e desconcerta o que era justo ou certo, mexe com estruturas e mecanismos que servem para harmonização do todo, e muitas vezes quando pensamos estar em trabalho de apoio e ajuda estamos, na verdade, saindo de sintonia, quebrando corrente que nunca poderia ser quebrada, dando lugar a um profundo anseio e inquietação. Uma amargura que a gente costuma citar como "coração partido". E o correto seria "Esteja pronto para finalmente enxergar a beleza desta existência terrena, mesmo que haja tanta coisa errada. Tente e assimile centelhas de beleza na sua aura todos os dias. Tente e as veja no meio de toda feiura, de toda desarmonia. Tente se divertir, receba o que lhe é oferecido. Ouse receber!"
3) Armadilha da vontade: _ Essa é de todas a mais perigosa, pois nos leva a querer demais, a pedir demais, a tentar demais, a errar demais pelas escolhas da vontade. A vontade pula cérebro e coração e começa a mandar na máquina que somos. A decidir, a fazer nossas opções de acordo com seus desejos. Ela é soberana, fecha ouvidos a mente e coração, atropela tudo, sai trombando a vida numa espécie de eu primeiro, depois a gente acerta o resto. E vai nos levando cada dia mais próximo ao abismo, a morte dos valores, dos ensinamentos que o espírito nos dá em forma de intuição, um conhecimento que carregamos na bagagem faz muito tempo, muitas vidas, e - num segundo que entregamos o controle a vontade, perdemos uma boa parte dele para o abismo. E qual seria o certo? "O desapego, pois esse é puro amor. A superação das armadilhas é sempre acompanhada por formas de desapego – desapego de pensar demais, desapego de se identificar demais emocionalmente, desapego do uso excessivo da vontade, é preciso desapegar-se da sua vontade pessoal e confiar naquilo que vem a vocês por si mesmo."
E sigo, e sigamos, buscando fugir das armadilhas mapeadas, no controle do ego, pois não podemos simplesmente matá-lo, faz parte do nosso todo, é essencial e necessário, mas deve, e pode, ser tão controlado quanto as armadilhas podem ser evitadas.
Sucesso na empreitada para todos nós que acreditamos que a Luz existe, basta apenas encontrá-la para acender nossos lumes.

elza fraga

As definições de armadilha (1-
cabeça/mente,  2-coração e 3-vontade) e os trechos em destaque são conceitos espiritualistas e a idealização do certo para escapar das três armadilhas mapeadas.