AUTOR: MARCOS PAULO DE O. SANTOS
FONTE : O MENSAGEIRO
Teceremos alguns comentários sobre a alimentação carnívora e para tanto nos apoiaremos em algumas citações dos espíritos.
Na obra “Cartas e Crônicas”, ditada pelo espírito Irmão X e psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, encontramos um texto intitulado “Treino para a morte” que muito nos chamou atenção e, por isso, citamos a parte abaixo referente a temática que ora apresentamos:
“Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os ciapós, que se devoravam uns aos outros.”
Inferimos que a viciação alimentar muito nos aflige além túmulo. E, outrossim, o autor nos compara de forma, talvez eufêmica, aos antropófagos de outrora, pois “não nos situamos muito longe” deles.
Continuando a nossa breve busca por informações sobre esse assunto, veremos que Emmanuel, na obra “O Consolador”, na questão 129, que pergunta se é um erro o homem se alimentar dos animais, ele responde:
“A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes conseqüências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos.”
Notamos a clareza das idéias desse espírito. Chamamos atenção para a afirmativa dele ao dizer que podemos encontrar recursos nutritivos de origem vegetal, sem a “necessidade absoluta” de sacrificarmos nossos irmãos inferiores.
Mais a frente Emmanuel nos diz que não podemos olvidar a máquina econômica que está por trás de tudo isso e que, de certa forma, auxilia muitas famílias que sobrevivem da matança dos animais. E ele bondoso como é, repousa suas esperanças no porvir. Já que lá, o homem estará mais purificado e será mais amoroso para com todas as criaturas. De qualquer forma, pela sua resposta vimos que ele é totalmente contrário.
O cidadão de “Nosso Lar”, André Luiz, assim nos fala em “Conduta Espírita” a respeito dos animais:
“Esquivar-se de qualquer tirania sobre a vida animal, não agindo com exigências descabidas para a satisfação de caprichos alimentares nem com requintes condenáveis em pesquisas laboratoriais, restringindo-se tão-somente às necessidades naturais da vida e aos impositivos justos do bem. O uso edifica, o abuso destrói.”
A clareza de André Luiz também é forte. O fato é que no momento do sacrifício o animal com medo, efeito natural do instinto de conservação, torna a “matança” dolorosa e árdua. E, por isso, é difícil não encontrar um local onde os animais não sejam mortos com tirania e crueldade para satisfazerem os caprichos humanos. Vejamos o que nos diz Eurípedes Kühl na obra “Animais nosso irmãos” a respeito de como eram executados os animais (e talvez ainda o sejam):
“- 12 horas antes do abate eram privados de água e alimento, para amaciar a carne;
- eram conduzidos molhados a um corredor e dali tangidos com choques elétricos de 240 volts;
- a seguir, uma pancada na cabeça, tonteando-os;
- animal ainda vivo, as patas eram cortadas, com machado ou tesoura grande, de forma a esgotar todo o sangue;
- ainda vivo, com ferimentos terríveis, o animal era colocado em uma estufa para suar e com isso eliminar o ‘mal educado’ cheiro de cavalo de sua carne;”
Será que alguém em sã consciência aceitaria tais situações para com os animais? Fazendo uma pausa por aqui, nos perguntamos como os espíritos grupos se sentem diante de tais situações. Um exemplo melhor ainda, como será que Francisco de Assis se sentiria vendo os animais morrerem dessa forma brutal?
Continuando nossa jornada por mais informações, o fato é que ocorreram várias denúncias, grupos defensores da natureza fizeram protestos e, talvez, hoje o método de abate tenha modificado um pouco. Quem vai saber? Talvez, a crueldade seja a mesma. A mídia e nós que somos cegos para tal situação.
Nós descrevemos uma das formas de abate acima, para que o leitor tenha uma nítida noção do que esses animais sofrem para satisfazerem nossos banquetes.
Certamente que eles no momento da morte muito dolorosa, pelo instinto de conservação, lançam na matéria todo o pavor, angústia e outras cargas deletérias que iremos consumir depois. E isso não é de se estranhar, porque o animal não compreende como nós, homens civilizados e superiores, que o trata tão bem, de modo intempestivo, leva-o para sua própria desgraça!
Talvez por isso existam no mundo as famosas doenças como a “gripe do frango”, “mal da vaca louca” e outras que virão. Pode ser um aviso do mais alto para que paremos de nos alimentar grosseiramente. Os animais não foram criados para tal.
Na obra “Diretrizes de Segurança” de Divaldo P. Franco e Raul Teixeira, encontramos a elucidação de Raul que diz:
“A alimentação não define, por si só, o potencial mediúnico dos médiuns que deverão dar muito maior validade à sua vida moral do que à comida obviamente.
Algumas pessoas recomendam que não se comam carnes, nos dias de tarefa mediúnica, enquanto outras recomendam que não se deve tomar café ou chocolate, alegando problemas das toxinas, da cafeína, etc., esquecendo-se que deveremos manter uma alimentação mais frugal, a partir do período em que já não tenha tempo o organismo para uma digestão eficiente.
É mais compreensível, e me parece mais lógico, que a pessoa coma no almoço o seu bife, se for o caso, ou tome seu cafezinho pela manhã, do que passar todo o dia atormentada pela vontade desses alimentos, sem conseguir retirar da cabeça o seu uso, deixando de concentrar-se na tarefa, em razão da ansiedade para chegar em casa, após a reunião, e comer ou beber aquilo de que tem vontade. (...) Lembremo-nos que o ‘médium’ Hitler era vegetariano e que o médium Francisco Cândido Xavier se alimentava com carne.”
O grande problema é que o nosso organismo, desde novo, é viciado pela ingestão (muitas vezes obrigatória pelos nossos pais) de animais. (Eles não têm culpa, porque também foram alimentados dessa maneira. É uma verdadeira bola de neve!). Depois para sairmos de tal situação é mais difícil. Nos assemelhamos a outros viciados que fazem esforços hercúleos para saírem de uma situação ruim.
Fica claro segunda a resposta desse grande médium Raul, que a alimentação carnívora não influencia na moralidade da pessoa. Fato esse que somos de total acordo. Entretanto, não podemos olvidar as idéias dos espíritos que aqui citamos que são contrários à ingestão de carne. Por isso, devemos fazer um esforço contínuo para aliarmos o útil ao agradável. Podemos ser boas pessoas (médiuns) e pararmos de comer os despojos dos nossos animais, nossos queridos irmãos.

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